Como comentado antes nesta série de publicações, quando fazemos fotografias do céu o ideal é salvá-las num formato que não destrua a imagem (que é o que acontece com o formato JPEG, tão comum, e o único disponível, em câmeras mais simples).
Não vou aqui mostrar como se faz o tratamento das imagens, mas mostrar alguns detalhes que vocês verão nos softwares que fazem tratamentos de imagens, como o Registax, o DSS, etc.
Quando salvamos uma imagem num formato não destrutivo o que acontece é que a imagem registrada pelo sensor é salva da forma como foi registrada, sem tratamento algum pela câmera. É a tal imagem RAW que algumas câmeras permitem salvar (numa Canon o arquivo tem a extensão .cr2).
Ao contrário do JPEG, que sai "alisando" a imagem e então perdendo definição dos pequenos detalhes e escondendo defeitos, o RAW mantêm todos os detalhes registrados e, então, os defeitos!

Todo sensor tem defeitos. Quanto mais barata a câmera, maior o número de defeitos.
Fotografias em RAW mostram os detalhes no máximo que o sensor permite (que dependerá do tamanho de cada pixel do mosaico), mas nos obriga a fazer um tratamento nas fotos salvas antes que possam ser usadas, até mesmo antes do empilhamento de imagens, para gerar a imagem final, que o Registax e o DSS, entre outros, fazem.
Nos sensores mais modernos o grande problema são os pixels com defeitos (há outros problemas, mas como um exemplo, vamos ficar só com este aqui...). Na primeira imagem mostro uma foto (de uma sequencia de várias), do aglomerado M7, onde podemos ver os pixels vermelhos espalhados por toda a imagem (tem de ver a imagem em formato grande para conseguir vê-los!). Estes pixels são os defeituosos (sim, e são nesta quantidade num sensor de uma DSLR).
Para corrigirmos nossa foto é preciso saber onde eles estão e o quanto de "cor" deve ser descontado daqueles pixels para ficarmos somente com a parte real do objeto fotografado.
Isto é feito com as imagens Dark. Elas são imagens feitas com a objetiva da câmera fechada (ou com o telescópio tampado, caso a câmera esteja em foco direto) e com tempo de exposição e ISO iguais ao usados nas fotografias dos objetos. Estas imagens mostram quais pixels estão com problema e o quanto deve ser descontado dos mesmos pixels nas imagens dos objetos.
Nos softwares que permitem informarmos as imagens de Dark, podemos fazer várias delas (sei lá.. umas 10 ou 15) e o software fará uma imagem média com elas (chamada de "imagem mestra de dark") e ele a usará para subtrair de cada fotografia de nossa série do objeto sendo fotografado. Só depois disto é que eles passam a fazer o empilhamento com as imagens corrigidas. O resultado do empilhamento é mostrado a seguir.
