Mais cedo ou  mais tarde um astrônomo amador que realmente deseja seguir no hobby e decide fazer algo mais que olhar para o céu acaba pensando em ter um local onde possa deixar o telescópio permanentemente montado. Montar e desmontar um telescópio é uma tarefa demorada e nos obriga sempre a fazer o alinhamento da montagem do telescópio. Sem este alinhamento as imagens ficam corridas após alguns poucos segundos de exposição. 

O observatório foi construído na chácara que tenho em Esmeraldas. Não é o local mais adequado para um observatório (muitas lagoas na região, então humidade, e muito próximo a um bairro muito iluminado de Ribeirão das Neves, e da capital, Belo Horizonte), mas é o que tenho.

Fig 1: Escolha da área da construção

O observatório, para conseguir abrigar mais de um telescópio, não poderia ter uma cúpula, então o tipo roll-off foi a escolha. Mesmo se fosse apenas um telescópio o tipo acabaria sendo o roll-off por causa do alto custo de uma cúpula. Por causa do conforto térmico as paredes foram escolhidas serem de madeira. Por indicação da pessoa que o construiu usamos o compensado naval, que sem bem cuidado tem boa resistência à chuva.

Meu terreno é inclinado e isto favoreceu o observatório ser dividido em 2 cômodos: um para os telescópios e um menor para o observador. Como num roll-off o telhado da área dos telescópios tem de ser móvel, ele poderia ser deslizado para fora da construção ou para cima do outro cômodo. Foi decidido que ele iria para cima do outro cômodo, que foi feito na parte mais baixa.

Fig 2: Divisão interna do observatório

Algumas coisas precisam ser pensadas: 

  • A área do observador deve ser fechada. Numa noite fria isto faz diferença;
  • As paredes da área dos telescópios não devem ser altas a ponto do telescópio não poder ter acesso a todo o céu que o local permite;
  • O telhado móvel será motorizado?
  • O telhado móvel precisa de proteção contra o vento, que dependendo da força poderá levantá-lo!
  • O telescópio estará sobre seu tripé ou sobre um pilar? 
  • Se for pensado em um pilar é preciso que este esteja sobre uma base pesada e sem contato direto com o chão do observatório (para evitar trepidação quando andamos)
  • Precisamos de passar alguma fiação entre o telescópio e o computador lá na salinha!
  • Tomadas elétricas próximo ao telescópio nunca são demais.
  • Para evitar surpresas eu sugiro o uso de um nobreak para alimentar o telescópio
  • Entre os dois cômodos é bom ter uma parte da parede com vidro, para ver o que acontece lá fora sem precisar abrir a porta!

 

Fig 3: Conduítes para fiação elétrica e de dados. Os tijolos protegem os buracos onde serão postos as bases de concreto para o pilar dos telescópios.

O observatório foi pensado abrigar 3 telescópios: dois meus e um de um amigo. Como os meus são menores eu os deixei numa beirada da área. O terceiro, um newtoniano de 180mm e com um tubo de mais de 1,5m, eu reservei a área central, assim estará longe das paredes e poderá ser movimentado sem a preocupação de chocar-se com elas.

Fig 4: Chão concretado e esperando as paredes.

E começam a ser postas as paredes

Fig 5: Iniciando a colocação das paredes. Serão duas camadas, a interna e a externa. Como aqui próximo a BH não faz temperaturas muito baixas ou muito altas não é necessário isolamento térmico entre elas.

Já está tomando forma. Ter janelas e a área do observador telhado.

Fig 6: As pessoas que tornaram o observatório uma realidade.

Paredes externas e um dos trilhos para deslizar o telhado móvel.

Fig 7: Trilho

 

Fig 8: telhado móvel no seu lugar

Base dos pilares feitas e colocação do piso.

 

No dia 01 de 2022 o C11 foi instalado em seu pilar. O Newtoniano de 150mm ainda não tem pilar.

Desktop agora é dedicado ao observatório.

 

Agora os dois estão em pilares

Com as luzes vermelhas acesas. A foto está clara, mas na verdade as luzes não são tão luminosas assim não...